11 maio 2011

A ARVORE DA VIDA- MATRIX

Ao lado, vemos o diagrama da Êtz háim (Árvore da Vida), que se presta a várias interpretações, dentro da Cabalá. Ela é constituída por 10 Sefiroth (que significa literalmente contagem, mas acabou sendo usado comoesferas ou emanações). No livro Zohar vemos que cada Sefira representa um atributo divino, os quais devemos adquirir em nossa jornada de evolução.
A contagem começa de cima para baixo, pois o 1 deve ser a Unidade, o Divino, que é representado por Kether (Coroa), a esfera do topo. A 2ª é Hockmah (Sabedoria), a 3ª Binah (Entendimento), a 4ª Hessed (Misericórdia), a 5ª Guevurah (Força, Severidade), a 6ª Tifereth (Beleza), a 7ª Netzach (Vitória), a 8ª Hod (Glória), a 9ªYesod (Fundamento) ou Tsedek (Justiça) e a 10ª Malkuth (Reino).
Clicando aqui você acessa uma imagem detalhada da árvore da vida, com várias simbologias em cada Sefira e nos caminhos entre elas.
Perdoem-me os cabalistas, mas permitam que seja feita aqui uma interpretação mais personalizada da Árvore da Vida, que representaria os vários níveis de entendimento de Deus, de forma consciencial e teosófica, através dos tempos:
Malkuth equivaleria à consciência do Ego, com suas necessidades imediatas. É onde a maioria da humanidade infelizmente se encontra, que não enxerga além do seu próprio umbigo. Note que Malkuth está deslocada em relação ao conjunto harmônico das outras esferas. A filosofia do "Malkuthiano" é "Deus cuide dos assuntos dele lá em cima, que eu cuido dos meus aqui embaixo".
Acima dela temos Yesod, onde adquirimos as bases para a caminhada em direção ao Divino: a noção de justiça, o "dai a César o que é de César e dai a Deus o que é de Deus". Também exercitamos o contato com o mundo imaterial: os sonhos, as premonições. Descobrimos que a nossa realidade não é a única realidade, que não estamos sós no universo. Nos desvencilhamos um pouco das amarras do mundo físico. Adquire-se a percepção do EU como reflexo divino (Como podem notar, Malkuth está espelhado em relação a Kether). Na Guematria vemos essa confirmação, pois o Nada (que se refere ao Divino) em hebraico é AIN, e, invertendo as letras, temos ANI, que quer dizer Eu.
Subindo mais, temos Netzach, que representa a eternidade, a vitória sobre o tempo e o espaço e a onipresença do Divino. No outro lado vemos Hod, que é a majestade e a glória do Divino. Em ambos temos a comprovação intima de Deus, onde reconhecemos o quanto somos pequenos e indefesos. É nessa fase que muitos se apegam a uma linha religiosa.
Temos então Tiferet, onde admiramos as obras da criação, vendo Deus em tudo e em todos, deslumbrados como um turista que visita um local pitoresco. É onde estão certas religiões que pregam com entusiasmo "Shiva é maravilhoso!" ou "Jesus é 100%!" e não vão muito além disso.
Guevurah é a fase do Deus implacável e vingativo, que podemos encontrar em toda a Torah, onde o respeito é conseguido através da força e da severidade. Chesed é o Deus de amor, que Jesus veio trazer ao mundo. O "papai" em vez de "O impronunciável".
Acima desses dois extremos, temos a esfera que não é esfera, Daat. Ela permanece invisível, localizada entreBinah e Hockmah, e está associada ao conhecimento. Note que esta escalada pode se dar de duas formas: Ao meditar no conhecimento você adquire o entendimento (Binah) e depois vem a aplicação desse entendimento na sua vida (sabedoria). Ou você pode ir direto para o uso do conhecimento (sabedoria) e só depois ele estará introjetado na sua vida (entendimento). Assim é a vida. Não existe UM caminho, assim como não existem duas vidas iguais.
Dá o que pensar o fato de Daat não ser de fato uma esfera. Sugere que o conhecimento vem de fora (um Mestre), mas também que o conhecimento por si só não é um atributo Divino. Muitos o têm, e o utilizam para o mal. Existem também aqueles com vasto conhecimento e que não entendem de fato o que aprenderam. Os Fariseus eram ótimos exemplos, eram doutores da Lei, mas não penetravam sua essência, apegados que estavam à forma e à palavra (até hoje há religiões que seguem tudo ao pé da letra, vocês sabem...). O conhecimento é importante sim, mas como uma ponte para o entendimento e a sabedoria.
Kether é a primeira emanação do Divino. O Supremo Nada, a origem de tudo. É onde a criatura se funde ao Criador, retornando ao seu estado mais puro. Seria a iluminação? Não sei...
As 10 Sefiroth são ligadas por 22 caminhos, e constituem as vias pelas quais a Luz infinita e a força criadora fluem. Imaginem Kether como a taça da mais pura água, que transborda e derrama para as taças abaixo, adquirindo em cada uma um sabor. À medida que transbordam, vão influenciando o sabor das outras mais abaixo. Nós estamos em Malkuth: a última esfera. A mistura de todos os sabores, e ao mesmo tempo nenhum sabor específico. Mas ainda assim é composta basicamente de água (Kether). Quem conseguiu provar dos sabores das taças superiores sente que está mais próximo da verdadeira essência, e se torna um especialista em identificar esse sabor no aparente caos que é Malkuth: O ponto mais baixo da escalada.
Temos a comprovação cabal quando pegamos o número 1 do Kether e o 10 de Malkuth.
Mas antes, vamos analisar um dos nomes Divinos: AIN SVP AVR (Ain Soph Or), que significa Luz infinita. AIN se traduz como o "nada", no sentido de indefinível, imanifesto. O que simplesmente É. São 9 letras, que simbolizam as 9 primeiras Sefiroth. Não podemos ir adiante sem voltarmos ao início (o 1) e ao "nada" (AIN), na forma de10. Assim, "Kether está em Malkuth, e Malkuth está em Kether", como atesta um dos aforismas cabalísticos. O Rabi Shimon confirma: "O mundo inferior foi feito à imagem do mundo superior. O inferior não é senão o reflexo do superior, para que a unidade seja perfeita". E isso nos remete à Platão e sua Alegoria da caverna...
Apesar de ter características diferenciadas, as dez Sefiroth constituem uma unidade, assim como as cores do arco-íris podem ser formadas de uma única fonte de luz.
Como podemos perceber pelos "caminhos" entre as Sefiroth, há opções para se ir a uma esfera mais alta sem passar por uma intermediária, mas vai depender das escolhas de cada um, escolhas que fazemos aqui na Terra. E, como também podem perceber pelo diagrama, são muitos os caminhos para Deus. Caminhos de extremos ou de equilíbrio. Mas notem que o caminho do equilíbrio (do meio) é o mais "curto".

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